Viva o sol! Salve sua pele!!! – Parte I

* por Vera Golik *

O espaço Papo Reto foi especialmente criado para que possamos aprofundar o conhecimento sobre alguns temas que afetam diretamente nossa qualidade de vida. Aqui, Vera Bellezza traz a palavra de especialistas para que possam nos guiar com as informações mais quentes, que foram recentemente publicadas em revistas científicas de renome, com o respaldo das principais pesquisas mundiais, para que possamos tirar nossas dúvidas sobre diferentes assuntos.

Como estamos em pleno verão, vamos começar falando de como curtir o sol, cuidando corretamente da nossa pele. Afinal, o câncer de pele responde por 33% de todos os diagnósticos de câncer no Brasil. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a cada ano, surgem cerca de 180 mil novos casos da doença. Vale saber que existem vários tipos de câncer de pele. O mais comum é o câncer de pele não melanoma (como os carcinomas basocelulares e os espinocelulares), que atinge milhares de pessoas, mas não é tão agressivo. Já o melanoma é mais raro e letal que os carcinomas. É o mais agressivo entre todos os tipos de câncer da pele, sendo que mais de 1500 pessoas ainda morrem todos os anos por causa do melanoma. A boa notícia é que quando detectado precocemente as chances de cura ultrapassam os 90%.

Mas, você pode estar se perguntando: “Porque falar de novo sobre câncer de pele? A gente já sabe que é preciso se cuidar nos horários de sol mais quente e que devemos usar sempre o protetor solar!”, certo? É verdade. As informações básicas, ainda bem, estão bem difundidas, mas percebemos que mesmo a gente que lida com esse tema há muitos anos – e até muitos médicos – ainda desconhece algumas novidades e formas de abordagem que podem literalmente salvar nossa pele e ainda mais salvar nossas vidas.

*Dr. Elimar Gomes é médico dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica e do Grupo Brasileiro de Melanoma.

Bom, para não deixarmos o texto muito longo, resolvemos esclarecer alguns pontos em forma das perguntas mais comuns que a gente ouve por aí, com respostas bem breves. A matéria será publicada em partes. Nesta Parte I, nosso entrevistado, o médico dermatologista Elimar Gomes*, responde algumas das nossas principais dúvidas.

Ah… e se você tiver outras questões, aproveite para deixar seu comentário aqui na matéria ou no espaço CONTATO do VERA BELLEZZA ou ainda pelas nossas redes sociais.

Vamos procurar responder suas perguntas o mais rápido possível, provavelmente na Parte II dessa reportagem. Aproveite o sol e cuide-se!!

 


Vera Bellezza: Existe diferença entre os tipos de filtro solar? Como diferencio o filtro químico do filtro solar físico e como saber quando usar um ou outro?
Dr Elimar Gomes: Todos os protetores solares são formulados a partir de uma mistura de substâncias ou ativos. Do ponto de vista estrutural, esses ativos podem ser divididos em dois grupos: os filtros químicos, que são substâncias que absorvem a radiação ultravioleta, e os filtros físicos, que refletem essa mesma radiação. Classicamente os filtros físicos são substâncias um pouco mais inertes, não penetram facilmente na pele e provocam menos reações alérgicas. Na prática, a grande maioria dos protetores solares apresentam em sua composição filtros físicos e químicos. Os protetores solares com filtros exclusivamente físicos podem ser indicados em situações de alergia ou na infância, por exemplo, mas sempre sob orientação médica.

Vera Bellezza: Então, o filtro físico forma uma barreira protetora, certo? Pensando assim, a camiseta, o chapéu ou boné e o guarda-sol não fazem o mesmo efeito? Para esses acessórios existem cores que protegem mais que as outras?
Dr Elimar Gomes: Proteção solar não significa apenas uso o do protetor solar. Sim, as barreiras físicas são fundamentais. Ou seja, todos os métodos que bloqueiem a chegada da radiação ultravioleta na pele fazem diferença e auxiliam na redução de danos. Os tecidos bloqueiam parcialmente a chegada dos raios ultravioletas na pele. Quanto mais escuros e mais densa a trama/espessura dos tecidos maior a proteção. Mas, nesse caso, os tecidos deixam de ser confortáveis para uso. Sendo assim, o ideal seria usar “tecidos com proteção UV”, que tem substâncias fotoprotetoras incorporadas as suas fibras, que diminuem significativamente a chegada dos raios ultravioletas na pele.

Vera Bellezza: É seguro usar filtro solar em spray? Eles parecem tão mais suaves. Não estariam reduzindo a barreira física? Qual a forma correta de aplicar esse tipo de filtro?
Dr Elimar Gomes: Sim, os filtros solares em spray de boa qualidade, aprovados pelas agências regulatórias (no Brasil, pela Anvisa), quando aplicados corretamente são seguros para uso. Eles devem ser aplicados assim como qualquer outro protetor solar em creme, loção ou gel. Deve-se espalhar uma camada espessa do produto por toda a pele de 15 a 30 minutos antes da exposição e reaplicar a cada 2 ou 3 horas e sempre que sair água ou transpirar muito. Um ponto importante é que algumas vezes as pessoas usam o filtro solar em spray apenas borrifando o produto sobre a pele sem espalhar de forma homogênea sobre toda a superfície corporal. Isso deixa algumas “ilhas” de pele desprotegidas e estas ficam mais suscetíveis aos danos solares e queimaduras.

Vera Bellezza: Como eu descubro qual é o FPS mais indicado para a minha pele? Posso usar o mesmo Fator de Proteção Solar na cidade e na praia ou na piscina?
Dr Elimar Gomes:
Para todos os tipos e cores de pele, o mínimo recomendado é o FPS 30. Quanto mais clara a pele e quanto maior a exposição solar maior deve ser o FPS escolhido. Existem algumas doenças de pele e outras situações que também indicam o uso de fatores mais altos e outras substâncias associadas ao protetor, tais como hidratantes, antioxidantes, pigmento (base) ou redutores de oleosidade. Cada uma dessas situações sempre deve ser discutida durante a consulta dermatológica.

Vera Bellezza: Quem tem sardas tem mais chance de ter câncer de pele? E quem tem muitas pintas? O risco é maior?
Dr Elimar Gomes: Sim! As sardas aparecem nas áreas expostas de pessoas com a pele bem clara ou ruiva. Justamente essas pessoas tem maior sensibilidade aos danos provocados pela radiação solar e, por este motivo, tem mais risco de desenvolver câncer de pele. Da mesma forma, quanto maior o número de “pintas” ou nevos, maior o risco de desenvolver um melanoma, que é a forma mais agressiva do câncer de pele. Diante disso, todas as pessoas com uma grande quantidade de “pintas” devem passar em consulta dermatológica anual para realizar dermatoscopia, um exame realizado durante a consulta que ajuda a separar as “pintas” benignas daquelas que são suspeitas de câncer de pele. Em algumas situações de maior risco, precisamos fotografar todo o corpo do paciente (mapeamento corporal total) e cada uma das pintas (dermatoscopia digital) para acompanhamento, o que pode determinar o aumento do diagnóstico precoce do melanoma e a redução do número de pintas removidas de forma desnecessária.

Vera Bellezza: Toda queimadura de sol se transforma em câncer de pele? E se eu me bronzear apenas uma ou duas vezes por ano?
Dr Elimar Gomes: As queimaduras de sol aumentam o risco de câncer de pele, ou seja, quanto maior o numero de queimaduras durante a vida (principalmente na infância) maior o risco de desenvolver um câncer de pele. Isso não é uma relação temporal direta. Ao se bronzear – mesmo que uma ou duas vezes por ano – significa que você expôs a pele aos raios ultravioletas e aos danos provocados por eles, como envelhecimento, manchas na pele e o aumento do risco de câncer de pele. Além disso, esse dano é sempre cumulativo durante a vida.

Vera Bellezza: Se eu tenho um tipo de câncer de pele, eu posso ter mais chance de desenvolver outros tipos de câncer, inclusive de pele?
Dr Elimar Gomes: Sim, as pessoas que já tiveram um câncer de pele, quer seja um carcinoma ou um melanoma, tem um risco aumentado de desenvolver novas lesões de câncer de pele e, por este motivo, requerem acompanhamento dermatológico contínuo. Em relação ao aumento de risco de outros tipos de câncer é preciso avaliar todo o contexto e histórico familiar.

Vera Bellezza: Quais são as regiões do corpo mais vulneráveis e onde mais frequentemente aparece o câncer de pele?
Dr Elimar Gomes: O câncer de pele pode acometer qualquer região da pele. Mesmo aquelas que não costumamos reparar como o couro cabeludo, as mãos, os pés, as unhas e até a região genital. As áreas mais vulneráveis são aquelas expostas ao sol diretamente, sem proteção, uma vez que a radiação ultravioleta é o principal agente causador.


E MAIS:

Ação para Prevenção e Detecção Precoce do Câncer de Pele

No dia 10 de dezembro de 2017 VERA BELLEZZA ajudou a organizar a AÇÃO de CONSCIENTIZAÇÃO e MOBILIZAÇÃO para a Detecção Precoce do Câncer de Pele, que aconteceu no Conjunto Nacional e na Av. Paulista, em São Paulo. Depois do Diálogo com dermatologistas e o público, mediado por Vera Golik (que também é diretora do IDVH – Instituto de Desenvolvimento e Valorização Humana, realizadora deste evento), no CineArte do Conjunto Nacional, palestrantes e participantes se uniram e literalmente vestiram as camisas para mobilizar a todos sobre a importância da proteção e da detecção precoce do câncer de pele. Para marcar o momento, todos juntos participamos da Revoada de Balões Cor de Laranja, em pleno domingo de sol na Av. Paulista lotada. Foram soltos 1500 balões representando a quantidade (média) de pessoas que ainda morrem todos os anos em função do Melanoma, segundo o Instituto Nacional do Câncer – INCA.

Ainda neste verão,VERA BELLEZZA e o IDVH planejam novas ações como esta para informar e mobilizar ainda mais pessoas sobre a importância da prevenção e da detecção precoce do câncer de pele. Aguardem!