Viva a Verdade e a Transparência

O acesso à informação tem estimulado o consumidor a refletir e questionar cada vez mais sobre a qualidade de suas escolhas, inclusive para optar sobre o que comprar para manter sua saúde e bem-estar. A indústria está bem atenta a esse movimento: dados do Caderno de Tendências 2019-2020 da ABIHPEC indicam que assumir uma posição transparente sobre a origem, o processamento e os impactos ambientais dos produtos será muito importante, senão vital, para uma marca ser escolhida em meio à concorrência. Isso porque o consumidor não quer apenas comprar um cosmético, mas, sim, deseja aderir a uma causa, tem vontade de tomar uma atitude e adotar um estilo de vida que se alinhe às suas crenças. Boas opções já estão disponíveis e VERA BELLEZZA acredita nessa ideia.

Vera Golik e Shâmia Salem

O fácil acesso à informação e o ganho de voz pelas mídias sociais são algumas das explicações para o maior engajamento do consumidor. E esse comportamento tem se refletido em vários aspectos da vida, inclusive na forma como ele cuida da própria saúde e bem-estar. Nos produtos para cuidados pessoais esse reflexo parece ser ainda maior, aponta o Caderno de Tendências 2019-2020 da ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), produzido em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Essa afirmação, segundo análises feitas por agências como a Nielsen e por bureaux de inteligência, caso da WGSN, é baseada na crescente atração por cosméticos elaborados com ativos de origem natural ou orgânica e vão além, trazendo conceitos de sustentabilidade e formulações veganas ou cruelty free.

Entregar o que promete

Por trás desse movimento, há quem enxergue o desejo do consumidor de que as marcas se comuniquem de forma mais transparente, mostrando claramente suas posturas, para que a escolha e a compra sejam feitas levando em consideração as preferências e crenças de cada um.

Para atender a demanda, várias empresas já se posicionaram. Entre os exemplos citados no Caderno de Tendências da ABIHPEC, estão as marcas que defendem que mais importante do que divulgar que um determinado lançamento tem ingredientes exclusivos, sejam sintéticos ou de origem natural, está o fato de ele ser biocompatível, ou seja, que respeitam a natureza, e também a postura de comunicar com clareza o que cada um de seus produtos de fato contém (ou não) na composição.

Na Europa e nos Estados Unidos essa tendência já vem se mostrando uma realidade e segue ganhando força aqui na América Latina.

A causa importa

A relação do consumidor com as marcas e os produtos está mudando. No seu levantamento chamado Beauty and Personal Care Trends 2018, a Mintel Global explicou que vender um ótimo produto não será mais suficiente. “As marcas, mais do que nunca, precisam ter personalidade e propósitos que se alinhem às crenças dos consumidores para conquistá-los”, escreveu. E o Caderno de Tendências da ABIHPEC aponta pesquisas que indicam mesmo para essa direção:

••• 37% dos consumidores do Reino Unido levam em consideração se um produto é ou não testado em animais.

••• 56% dos americanos deixam de comprar produtos de uma marca ou de uma loja se acharem que eles não são éticos.

••• 29% dos brasileiros preferem comprar produtos de empresas com práticas sustentáveis.

Além de adotar uma posição firme – e sincera – sobre alguma causa, as empresas precisam alinhar seu discurso e suas campanhas de marketing para refletir isso. Os consumidores querem comprar, além do produto, uma atitude e um estilo de vida. Assumir uma posição transparente perante a origem, o processamento e os impactos ambientais dos produtos será cada vez mais importante, uma vez que os consumidores têm muito mais acesso às informações. E a tendência é que esse poder aumente exponencialmente graças a iniciativas como o SmartLabel, uma ferramenta digital que foi desenvolvida em 2015 nos Estados Unidos e tem mudado a forma como as pessoas compram. Trata-se de um serviço que fornece acesso aos dados sobre um produto, além daquilo que está no rótulo. “Como a tecnologia permite que os consumidores acessem informações instantaneamente no momento da compra, ela acaba interferindo para que as empresas de cuidados pessoais sejam transparentes sobre seus ingredientes e processos ecológicos”, indicou um estudo realizado pela Euromonitor International. Segundo ele, a Unilever anunciou, em 2017, que iria expandir a tecnologia SmartLabel para seus produtos de cuidados pessoais – e vem cumprindo essa meta para que logo o processo esteja todo finalizado. “Na Unilever, acreditamos que a transparência é fundamental para a condução de um negócio sustentável”, declarou a empresa em um artigo publicado no site Medium.

As chamadas marcas ecofriendly respondem à procura por produtos com ingredientes genuinamente naturais e ao conhecimento e exigência dos consumidores que sabem muito bem o que estão querendo. Buscar a certificação de institutos internacionais, já que ainda não existe uma normatização oficial, e ter uma comunicação clara e transparente com o consumidor tem sido a saída para marcas que querem se posicionar corretamente nesse segmento.

Na América Latina, essa preocupação com a transparência e a postura ética também aparece fortemente. Uma pesquisa da Mintel apontou que:

••• 57% dos latino-americanos estão dispostos a pagar mais por produtos com alta qualidade e elevado padrão de segurança,

••• 48% por produtos que não agridam o meio ambiente e

••• 39% por produtos que mostrem responsabilidade social.

Bons exemplos

O Caderno de Tendências da ABIHPEC relata alguns casos de marcas – nacionais e internacionais – que estão conectadas com essa tendência:

Efetiva, pura e segura. Esse é o mote da nigeriana Ajali Handmade Naturals, que produz produtos de beleza com ingredientes de origem natural. Com princípios fortes, ela encoraja o fair trade (comércio justo, que busca unir responsabilidade social, sustentabilidade e competitividade para médios e pequenos produtores). A marca usa ingredientes indígenas da África Ocidental (como manteiga de cacau não refinada e óleo de coco virgem), faz parceria com fazendas locais e encoraja os consumidores a abraçar e aceitar a si mesmos como são.

A inglesa Flux Botanicals investe no que chamam de “natural vem primeiro”: os produtos de skincare são à base de plantas, óleos vegetais e extratos botânicos, combinados perfeitamente com ingredientes ativos desenvolvidos pela ciência. Segundo eles, a missão da marca é ajudar a conquistar uma pele saudável e dar mais confiança para que as pessoas apostem na própria beleza. Para continuar a fazer sentido para esse consumidor, que busca uma vida mais saudável, com ética e tem preocupações sociais, 2% das vendas da marca são direcionadas à ajuda de formação profissional em diferentes áreas para mulheres e meninas em todo o mundo.

Os exemplos também se encontram no Brasil:

A Feito Brasil, no mercado há 14 anos,
 vem crescendo cada vez mais apoiada em um posicionamento de respeito à natureza (uso responsável dos recursos naturais) e formulações de origem vegetal (não usam matérias-primas de origem animal) e com ingredientes ecocertificados.

 

Já a Simple Organic, que nasceu em 2017 com claims como “produtos produzidos com um mínimo de 95% de matéria de origem natural” e “no mínimo 10% de ingredientes de produção orgânica”, tem a certificação da EcoCert para atestar a origem de seus produtos.

 

Enfim, são muitos os exemplos e certamente a lista ficaria longa se falássemos de todas. Este espaço, chamado Mais que a Marca, no site VERA BELLEZZA, se propõe justamente a contar esses casos de empresas que tem como objetivo ir além de produzir bons produtos, mas associá-los a um movimento que nos ajude a viver melhor.

Se você já aderiu à alguma marca em função da causa que ela defende e também da verdade e da transparência com que ela se comunica, compartilhe e conte para gente! Sua experiência pode influenciar positivamente muitas pessoas que querem cuidar da saúde e do bem-estar não só de si mesmas, mas de todo o planeta.