Premiumisation: é belo, bom e do bem

Está aí uma megatendência apontada no Caderno de Tendências 2019-2020 da ABIHPEC que tem tudo a ver com os três pilares em que VERA BELLEZZA se baseia, apoia, divulga e acredita: as decisões de compras de beleza devem ser motivadas pelo que traz realização, alta qualidade, ética e pesquisa científica e nos ajude a ser pessoas melhores e mais felizes. Provas de que o consumidor mudou e de que agora ele não aceita nada menos do que o melhor quando se trata de adquirir artigos de cuidados pessoais, dando um novo sentido ao “eu mereço”. Entenda esse movimento e prepare-se para querer fazer parte dele, se é que já não faz.

Por Vera Golik e Shâmia Salem

Verdade seja dita, durante muito tempo o preço foi o único fator decisivo na hora da compra e o “eu mereço” era usado como desculpa para muita gente gastar o que podia e o que jamais deveria com produtos de beleza, principalmente os de alto luxo. Afinal, ostentar um cosmético caríssimo era chique e – bora confessar! – um bom jeito de despertar a inveja alheia. De volta a 2019, onde o comportamento do consumidor se transformou radicalmente a ponto de mudar até o conceito do luxo, o que temos agora é uma compra que deixa de ser focada na sofisticação do produto, para levar em conta uma percepção maior de qualidade, ditada pela ordem do “eu mereço o que há de melhor”.

De acordo com o Caderno de Tendências da ABIHPEC, a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, isso significa que para ser escolhido, um xampu, perfume ou uma maquiagem precisam ter alto valor agregado. Leia-se: fugir do básico e oferecer ingredientes e formulações diferenciadas, preocupar-se com o impacto causado na natureza, oferecer experiências personalizadas e autênticas. Bons exemplos são a nova gama de cremes com ativos calmantes e relaxantes e texturas leves que favorecem o sono e os filtros solares recém-lançados que também protegem a pele contra a poluição, o envelhecimento precoce e a luz nociva do celular.

Mais premium, menos pop

O Caderno de Tendências 2019-2020 produzido pela ABIHPEC em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) esclarece ainda que a chamada premiumisation (ou premiumização, em uma tradução livre em português) é estimulada por dois fatores principais: a melhora do padrão de qualidade da indústria da beleza e a nova motivação por trás da decisão de compra do consumidor. Com muito mais produtos à disposição e com preços variados, ele agora prefere investir em itens que o fazem se sentir especial, respeitado, valorizado, responsável, inteligente e sofisticado.

Claro que esta nova postura impactou no crescimento das vendas de cosméticos premium em detrimento dos produtos de massa: um estudo da Euromonitor International mostrou que enquanto a aquisição de marcas populares de cuidados pessoais teve alta de 4,4% em 2016, as de luxo bateram nos 9,1%. Detalhe que merece ser comemorado: este movimento também foi visto por aqui, mesmo com a economia brasileira andando de lado nos últimos anos. Uma pesquisa da Nielsen concluiu que nem o bolso apertado tirou o desejo do brasileiro por produtos premium. Tanto que nove em cada 10 entrevistados disseram estar dispostos a pagar mais por um cosmético desde que tenha alta qualidade, padrões de segurança, funções superiores ou ações exclusivas, além de materiais sustentáveis ou ingredientes orgânicos. E você, o que leva em consideração na hora das suas compras de beleza? Conta para a gente!