No Brasil, 25 milhões de cabeças estão contaminadas com formol! Como pode?

Nós, do Vera Bellezza, nos preocupamos não apenas em falar de tudo que é belo e nos faz sentir mais belos, mas principalmente de tudo que é realmente BOM e não causa danos à nossa saúde. Reservamos este espaço justamente para ter informações sérias que nos ajudem a sermos mais conscientes em nossas escolhas. Por isso, esta coluna traz no título a pergunta Como pode?. Afinal, muita coisa nociva à saúde continua acontecendo impunemente nesse mundo encantado da beleza e a gente, por não saber ou por estar pensando apenas no resultado imediato, acaba deixando passar. Nós acreditamos que está mais que na hora de nos indignarmos e tomarmos atitudes transformadoras na hora de escolher um produto ou nos submetermos a um tratamento de beleza.

Para começar, vamos saber o que tem a nos dizer a nossa colunista Sonia Corazza, renomada engenheira química, especializada em cosmetologia e profissional incansável, super dedicada a pesquisar e criar fórmulas cada vez mais seguras para os cosméticos. Nesta matéria de estreia ela nos conta detalhes sobre as ‘fórmulas mágicas’, nem sempre muito seguras, para alisar os cabelos que ainda são usadas em profusão por este Brasil afora.

Você sonha em ter cabelos lisos lindos? Mas a que preço? Saiba um pouco mais para fazer a sua parte e construir um país mais sério, que se preocupa com a saúde das pessoas.

Na página da Sonia Corazza no Facebook você encontra outros temas interessantes. Nós amamos!! Depois de ler nossa matéria aqui, entra lá e curte: https://www.facebook.com/sonia.corazza.946

No Brasil, 25 milhões de cabeças estão contaminadas com formol! Como Pode?

* Por Sonia Corazza *

Você já parou para refletir que seus cabelos podem estar contaminados com uma das substâncias químicas temidas por estar francamente relacionada aos casos de câncer e outras anomalias?

Pois bem…num trabalho pioneiro, que consumiu dois anos de estudo, avaliando mais de 32 mil mechas de cabelos pelo país, conseguimos detectar a presença de formaldeído num número espantosamente alto de cabeleiras femininas.

Mas por que? A resposta levanta vários aspectos, uma trama bem complexa….

Uma parcela das pessoas que se submete a tratamentos cosméticos, como os denominados plástica capilar, botox capilar, escova progressiva e outras ‘técnicas’ inventadas para encantar e ganhar o consumidor, não se importa em saber o que existe dentro dos frascos coloridos e perfumados, desde que seus cabelos fiquem lisos. Esta beleza questionável, onde os fins parecem justificar os meios, está longe de trazer segurança dermatológica e toxicológica, além de acabar com a estrutura natural do fio de cabelo.

Muitas mulheres, em busca da sonhada transformação radical das madeixas, se submetem aos tais ‘tratamentos capilares’, que se apresentam das maneiras mais criativas e inimagináveis, disfarçados por claims maliciosos, ou chamadas espertas, como “à base de ácidos de flores, baba de quiabo, amido de milho, etc.” (como se os ditos ‘ingredientes naturais’ da fórmula a deixasse segura e inócua) e não se dão conta que o agente remodelador – aquele que vai levar ao efeito liso – usado nos produtos contém formol numa concentração totalmente fora da permitida pela ANVISA (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária), órgão regulador da área no Brasil.

Segundo o órgão, “o formol é considerado cancerígeno pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, o IARC (International Agency For Research on Cancer). Foi comprovada incidência de câncer nas vias respiratórias superiores (nariz, faringe, laringe, traqueia, e brônquios) pela inalação da substância”. E não há como negar: tanto os profissionais como a cliente respiram grande quantidade da substância durante e depois do procedimento. A ANVISA permite o uso de formol em produtos cosméticos somente até a concentração de 0,2% como agente conservante. Porém nesta concentração o formol não alisa ou remodela nenhum tipo de cabelo.

Empresas e profissionais inescrupulosos usam formol numa concentração que chega até a 20% para obter o alisamento dos fios, registrando seus produtos na ANVISA com informações propositadamente distorcidas.

Um outro fator impactante e preocupante é que muitos fabricantes de menor porte, porém honestos, acabam comprando gato por lebre. Ou seja, levam ativos alisantes como se fossem ingredientes tecnológicos, batizados com nomes também sedutores embalados por promessas como a de serem ‘100% livres de formol’, fato este que está bem longe da realidade.

Este universo de gente e empresas enganadas ou cúmplices torna o Brasil uma pátria triste e doente, cujas escolhas insensatas, conscientes ou não, irão cobrar um preço alto para a saúde da população a médio prazo.

Meus conselhos para quem quiser realizar um processo de remodelagem capilar de maneira mais segura e fazer a sua parte para cuidar da sua saúde e da saúde de todos nós:

••• Investigue minuciosamente a fórmula do produto a ser usado (se não souber o que significa os termos do rótulo, pergunte aqui no Vera Bellezza ou na minha página do Facebook, que a gente ajuda a resolver o mistério);

••• Mesmo que seja um profissional de confiança que você escolheu para fazer o procedimento no seu cabelo, procure saber exatamente que tipo de produto ele vai usar;

••• Entre sua lista de perguntas deve estar: quem é a empresa fabricante do produto? É idônea? Tem histórico de reclamações de seus produtos e possui um canal eficiente de Atendimento ao Consumidor? Cheque tudo isso com alguma fonte segura;

••• Antes de agendar o procedimento peça para ver os dados de registro sanitário do produto na ANVISA. Na Internet você pode ver até se existem ou não testes clínicos que comprovam a segurança dermatológica daquela fórmula. Na dúvida, novamente, pergunte para um especialista isento;

••• Se a empresa ou profissional não fornecer todas as informações necessárias, ou se você averiguar irregularidades, não tenha dúvida: DENUNCIE! Você pode fazer isso via Central de Atendimento da ANVISA: 0800 642 9782 (saiba mais no site http://portal.anvisa.gov.br/central-de-atendimento); ou via formulário eletrônico disponível em: anvisa.gov.br> no menu “Acesso à Informação”, localizado no lado esquerdo inferior da tela, clique em “Ouvidoria” > no centro da tela, na opção “Fale com a Ouvidoria”, clique em “Acesse mais” > em seguida, em “Ouvidori@tende”. Também é possível enviar sua denúncia via serviço postal, para o endereço: SIA, Trecho 5, Área Especial 57, CEP: 71.205-050, Brasília – DF.

Pode dar um pouco de trabalho, mas é só assim que as empresas e profissionais desonestos serão punidos e preferencialmente eliminados. Com atitudes assim o Brasil vai ganhar em saúde e beleza.