* Por Vera Golik *

Parece tão óbvio, mas não é bem assim. Durante o Carnaval, parece que é preciso repetir em alto e bom som – e até tatuar no corpo – que não é não! Ou seja, não é porque é festa, que são dias de folia, que o corpo das mulheres está à disposição. Mesmo que ela decida vestir quase nada, mesmo que ela dance muito, extravase, paquere, faça o que quiser, se ela disser não, então é não. E pronto.

Parece que em pleno 2018 a gente ainda tem que puxar a lousa e explicar essa obviedade bem explicadinha. Porque nesse mundo ainda tão machista tudo vira desculpa e a situação de abuso, assédio e até estupro se transforma em “culpa” da mulher. Quantas vezes não ouvimos: “Ah… mas se ela não quisesse mesmo, não estaria aqui no meio da folia”; “Se fosse não de verdade, ela cobriria mais o corpo”, “Mulher que se joga na folia não pode dizer não. Na real, ela tá querendo…” e outras baboseiras do tipo.

Eu sou Conselheira do Conselho Estadual da Condição Feminina de São Paulo com muito orgulho e uma de nossas lutas mais acirradas por lá é para que as meninas e mulheres tenham seus direitos garantidos e não sofram qualquer tipo de abuso ou assédio.

Por isso sou fã dessa campanha “NÃO É NÃO!”. A campanha nasceu no Carnaval passado, em 2017, quando quatro amigas, Barbara Menchise, Aisha Jacob, Julia Parucker e Nandi Barbosa ficaram iradas com uma cena em que uma garota foi agarrada, tentou se desvencilhar e disse: “Não! Eu falei não, você não entende? Não é não!”. Foi a partir daí que elas desenvolveram a campanha contra o assédio que se espalhou pelo carnaval de rua do Rio de Janeiro e agora faz sucesso no Brasil todo. A ideia que elas tiveram foi bem simples e direta: colar uma tatuagem temporária em qualquer parte do corpo e avisar para os mais abusados que: “Não é Não!” No início, as amigas reuniram 40 mulheres em um grupo de WhatsApp e conseguiram arrecadar cerca de 3 mil reais para bancar as primeiras 4 mil tatuagens. Elas queriam distribuir as tatuagens de graça para o maior número de pessoas.

via: @naoenao_

A campanha cresceu e o financiamento coletivo na internet já arrecadou mais de R$ 20 mil. Com isso elas agora distribuem 25 mil tatuagens temporárias. O adesivo com a frase “Não é Não!” já chegou a blocos de sete cidades, entre elas São Paulo, Rio, Salvador, Belo Horizonte, Recife e Olinda. A ideia bacana se espalhou pelos blocos oficiais, nos escondidos, no sambódromo, na praia… em todo lugar. E tem que continuar.

Vejam que legal o vídeo da campanha e o link da página para você contribuir com o que puder:

“Ainda tem cara que pega pelo braço, puxa o cabelo, tenta beijar à força. O que acontece é que, antes, as meninas ficavam quietas. Hoje, elas gritam, respondem, não deixam”, disse a estudante de Medicina Thaíse Silveira, de 21 anos, ao site do Estadão. Thaise aderiu à campanha enquanto curtia o carnaval no Acadêmicos do Baixo Augusta, neste domingo, 4. Alguns homens receberam bem o recado. “Ninguém quer ser alvo de um textão (nas redes sociais) falando que você é um assediador”, conta o estudante Filipe Loreto, de 21 anos. “Carnaval é festa. Mas homem que é homem sabe agradar sem forçar a barra”, diz.

Veja mais histórias:

No link do Estadão

No Blog Hypeness você vai ver outra matéria muito legal sobre a campanha “Não é Não!

E no site Catraca Livre tem uma matéria que fala da Campanha deles que vai na mesma linha, chamada #CarnavalSemAssédio, que é tudo de bom. A matéria é hiper completa com dicas super práticas e eficientes, caso você sofra assédio ou estupro no Carnaval. Vai até a página e leia tudinho com atenção.

Ah… se você gostou da ideia e não conseguiu o seu adesivo da Campanha, faça você mesmo sua tatuagem temporária e escreva no seu corpo a frase “Não é Não!”. Use tinta própria para rosto e corpo (no site da Kalunga você encontra).

Carnaval é uma delícia! E se pudermos nos divertir e curtir tudo com respeito fica melhor ainda!!