Minha fragrância, minhas regras

Os movimentos que celebram o respeito à diversidade têm provocado profundas transformações na sociedade, inclusive no modo de consumir. E o universo da perfumaria não ficou alheio a isso, claro. Com o olhar no futuro, o mercado de cosméticos enxergou que há consumidores que preferem se afastar das expressões tradicionais de gênero e adotar a neutralidade. Para atender esse público, surgiu o conceito genderless, que na perfumaria vai muito além do que se conhece como unissex e nos leva para as vastas possibilidades do gosto e das preferências pessoais e do bem-estar e que se distanciam cada vez mais de rótulos como “feminino” ou “masculino”. Ou seja, a sua liberdade de escolha é o que vale na hora de se apaixonar por uma fragrância.

Vera Golik e Shâmia Salem

Imagine escolher seu perfume tendo como único critério a sensação de bem-estar que ele te provoca, sem se preocupar com rótulos e regras, como a de saber se você está na seção “certa”, de femininos, masculinos, compartilhados ou qualquer outra divisão que possa haver na loja ou que você tenha que se enquadrar. Se você gostou dessa ideia, então, pode comemorar, porque várias marcas já não classificam mais seus perfumes por gênero, e, sim, por personalidade e atitude, aponta o Caderno de Tendências 2019-2020 da ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), produzido em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

Ainda segundo o Caderno de Tendências 2019-2020 da ABIHPEC, essa ideia de criar fragrâncias que se sustentem em suas famílias olfativas, sem definir se o produto é indicado para tal público, tem encantado principalmente as gerações Millennials, formada por pessoas de 20 a 34 anos, e Z, que têm entre 9 e 29 anos. Tal atração passa pelo fato de que ambos os grupos preferem perfumes que combinem muito mais com seu jeito de ser e com suas experiências do que com seu gênero.

Cheiro de bem-estar

O perfumista e farmacêutico Fabiano JS, da Charme Essência, pesquisador da Fiocruz, a Fundação Oswaldo Cruz, conta que trabalham muito nesse segmento do perfume sem gênero, as chamadas perfumaria de nicho e indie – abreviação do termo em inglês independent, que significa independente. “Como o intuito é atender um público que tem a liberdade de viver do seu jeito, sem rótulos, sem regras, essas casas elaboram fragrâncias inspiradas em arte ou até mesmo num cheiro que possa ser apreciado e trazer bem-estar”, explica Fabiano. Concorda com ele a perfumista Veronica Kato, da Natura, que lançou recentemente um perfume no gender. “O que torna um perfume desejado é o que ele representa para cada um e cada fragrância se revela deliciosamente diferente em cada pessoa, independentemente de gênero”, diz ela.

Outras grandes marcas no Brasil e mundo afora já estão seguindo essa mesma proposta de criar fragrâncias que refletem esse mix de referências, estilos e estímulos que estão espalhados nas grandes cidades.

Algumas das mais recentes criações que seguem essa tendência: Água de Jasmim e Timur (ambas da Phebo); Basil & Neroli, English Oak & Hazelnut e English Oak & Redcurrant (as três da Jo Malone); CK2 (de Calvin Klein); Bergamot Bloom Herrera Confidential e Orange Affair Herrera Confidential (ambas de CH); Oud de Carthage (de Boucheron); Paris-São Paulo (da Carven Collection); Tank Battle (da Lush); Vetiver & Lavanda (da Granado); White Musk L’Eau (da The Body Shop); Faces no Gender (da Natura); e Egeo Red e Egeo Blue (ambos de O Boticário).

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