Make com propósito

O interesse da brasileira por produtos orgânicos, naturais e veganos é crescente também quando o assunto é maquiagem, aponta o Caderno de Tendências 2019-2020 da ABIHPEC. E, como é comum confundir essas três versões, VERA BELLEZZA esclarece as principais diferenças entre elas. Confira!

Vera Golik e Shâmia Salem

Verdade seja dita, o fator decisivo na hora da compra de uma base, um batom ou qualquer outra maquiagem continua sendo o desempenho da fórmula. Ou seja, se ela cumpre o que promete em relação à cor, textura e durabilidade, entre outros atributos desejados. Mas, uma mudança começa a ser vista, mudança esta que vem alinhada à filosofia das gerações Z, formada por consumidoras que têm entre 9 e 29 anos, e millennials, com 20 a 34 anos, como aponta o Caderno de Tendências 2019-2020 da ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), produzido em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Isso explica o aumento do interesse por makes com proposta sustentável e ecofriendly, encontrada nos produtos orgânicos, naturais e veganos. O significado de cada uma dessas classificações vale para qualquer tipo de produto, seja ele um batom, um xampu ou um hidratante corporal. Entenda:

VEGANO

“Veganismo é uma filosofia de vida que prega o fim do uso e da exploração dos animais em qualquer atividade e necessidade humana, entre elas alimentação, entretenimento e cuidados pessoais e higiene. Daí a explicação de que para ser considerado vegano o cosmético não pode ter ativos de origem animal ou que sejam provenientes do sacrifício dos bichos, nem que tenha sido testado neles”, esclarece o biólogo geneticista e especialista em cosmetologia Márcio Accordi. Isso significa que uma maquiagem vegana até pode ser formulada com ácido hialurônico, desde que o ativo seja sintético, nunca extraído da crista do galo. Entender isso é fundamental para não cair no erro de achar que todo produto vegano é natural, certo?

NATURAL

“Para ser classificado dessa maneira, o produto deve ser preparado somente com ativos extraídos da natureza, tenham eles origem animal, vegetal ou mineral”, explica a especialista em biotecnologia Elen Varela. Além disso, esses ingredientes não podem ter sido obtidos a partir de sacrifício ou maus tratos a animais. “Na prática, a maquiagem até pode ser elaborada com cera de abelha, por exemplo, desde que ela não tenha sido obtida a partir do extermínio desses insetos”, exemplifica Elen.

ORGÂNICO

Sem querer dar um nó na sua cabeça, saiba que todo cosmético orgânico é natural, porém, nem todo cosmético natural é orgânico. “A diferença está no fato de que para ser considerado como orgânico o produto precisa que pelo menos 95% de seus ingredientes, com exceção da água, venham de cultura orgânica. Ou seja, ter ativos cultivados sem o uso de adubos químicos ou pesticidas, plantados e colhidos com a preocupação de não prejudicar o ecossistema, purificados e inseridos na fórmula cosmética com total controle de não usar substâncias químicas nocivas ao meio ambiente”, diz a especialista em estética e cosmetologia Isabel Piatti, que é embaixadora do Centro e Instituto Internacional de Aprimoramento e Pesquisas Científicas (CIA) e membro do conselho científico da Academia Brasileira de Estética Científica (ABEC). Quanto aos 5% restantes do cosmético orgânico, eles podem ser obtidos do cultivo natural ou do extrativismo direto.

LENDO O RÓTULO

Enfim, para você que está preocupada em cuidar da aparência e do bem estar sem se descuidar do meio ambiente, é importante escolher bem o tipo de produto que vai usar. E ler o rótulo com atenção. Se estas informações não estiverem claras, vale procurar outras marcas que se preocupam em avisar o consumidor sobre seus processos de fabricação.

NA PRÁTICA

Um kit básico de maquiagem é composto por: batom, base, pó, corretivo, sombra e máscara para cílios. Em cada um desses itens você pode observar se as matérias-primas e o processo de fabricação são veganos, naturais ou orgânicos, conforme o que explicamos acima. Por exemplo: para ser vegana, a base não pode ter sido testada em animais nem ser elaborada com ingredientes de origem animal, como queratina obtida do bico da galinha, mas, por outro lado, pode conter ácido hialurônico sintético, para favorecer a espalhabilidade, e óleo de copaíba, que colabora para a hidratação da pele. Já um batom classificado como natural pode ser produzido com óleo de girassol e manteiga de cacau, para potencializar seu potencial hidratante; enquanto uma sombra pode conter algas e pó de pedras, para garantir a boa fixação na pele e o brilho. Se preferir um corretivo orgânico, verifique se há essa indicação na embalagem e/ou no rótulo, atestando que pelo menos 95% dos ingredientes da formulação são orgânicos.

Assim, aprofundando os conhecimentos, lendo com atenção os rótulos, selecionando produtos que tenham mais a ver com o estilo de vida que você considera mais saudável e menos prejudicial ao ambiente e ao planeta, você estará fazendo a sua parte para que possamos viver melhor e deixar um mundo mais saudável e sustentável também para as futuras gerações. Conte para nós o que você já faz com esse propósito!!