Jovens há mais tempo, pele linda sempre!

Até pouco tempo atrás, as empresas e as revistas de beleza dividiam os tratamentos anti-idade em 20+, 30+ e 40+, sugerindo que a partir dos “enta” toda pele poderia ser cuidada da mesma forma. Só que não. Termos como “anti-idade” ou produtos para “rejuvenescimento” vem sendo banidos e substituídos por cuidados especiais para o tipo e qualidade da pele. O consumidor deixou claro que em qualquer fase da vida o cosmético não pode se restringir a oferecer embelezamento: ele deve garantir sensação de bem-estar e saúde, valorizando a aparência que reflete o quanto a pessoa está de bem com a vida, com a pele bem tratada e bem cuidada. É dar uma olhada nas prateleiras e nos lançamentos das principais marcas para ver que o pedido foi ouvido

Por Vera Golik e Shâmia Salem

Imagine que daqui a apenas oito anos o número de brasileiros com 60 anos ou mais será o equivalente a toda a população de Portugal. Esse envelhecimento da população, confirmado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estática, IBGE, não acontece só aqui, onde a expectativa de vida feminina já atingiu a casa dos 79 anos: o fenômeno se repete em todo o planeta, fazendo surgir uma nova leva de consumidores com gostos e necessidades específicos, principalmente no que diz respeito aos produtos de cuidados pessoais. A nova geração de mulheres 50+, chamada baby boomers – nascidas entre 1945 e 1964 – que têm entre 55 e 74 anos, estimada em mais de 17,4 milhões no Brasil, segundo dados do IBGE, são verdadeiras agentes de grandes transformações econômicas e sociais no mundo. As classificadas como “mulheres maduras” estão conferindo um novo significado ao envelhecer. Ativas, ganham mais do que a média da população e gastam mais com elas mesmas. De acordo com a pesquisa REDS sobre as mulheres com idade acima de 55 anos: 83% consideram a beleza importante. “Oferecer uma aparência saudável é o benefício que os chamados sêniores mais desejam dos cosméticos”, revela a analista de beleza e personal care Ildiko Szalai, da Euromonitor International, com base numa pesquisa realizada pela entidade. A constatação foi de que os maiores de 60 anos usam hidratantes corporais e faciais sem indicações explícitas de antienvelhecimento, porém, o que eles desejam mesmo é ter cremes pensados especificamente para eles. Faz todo o sentido! “Os 50 anos marcam uma das transformações mais radicais da pele, porque ela se mostra mais fina do que nunca, muito ressecada, mesmo que tenha sido oleosa no passado, e, consequentemente, bastante mais frágil e sujeita a lesões. A intensidade desses efeitos depende de como a pessoa viveu até aqui. Ou seja, se ela fumou, exagerou na exposição ao sol, foi muito estressada, não respeitou suas horas de sono, se alimentou mal e esqueceu de se hidratar, tudo isso somado à herança familiar”, lista o farmacêutico e mestre em dermofarmácia Marcelo Schulman, fundador e presidente da Vita Derm e do Instituto Schulman de Investigação Científica (ISIC).

Com exceção da genética, toda essa reviravolta é esperada. “Afinal, com o passar dos anos ocorre uma diminuição no ritmo da produção de colágeno, de elastina, da renovação celular, da produção de sebo e da barreira hidrolipídica. Traduzindo: a pele vai perdendo a firmeza, a elasticidade, a hidratação, o brilho e a capacidade de se proteger contra reações alérgicas e aumenta a sensibilidade a uma série de produtos, desde o detergente de lavar louças até o cosmético”, esclarece a dermatologista Fernanda Casagrande, de Farroupilha (RS).

Este slideshow necessita de JavaScript.

Cuidado tem que ser redobrado

Essas novas condições da pele a deixam mais suscetível também ao aparecimento do câncer. Daí a importância de multiplicar a atenção com sinais suspeitos, procurando um dermatologista sempre que uma pinta ou mancha aparecer, e usar cosméticos adequados, como produtos com alto fator de proteção solar.

Nessa fase da vida, hidratação é a palavra-chave, aponta o Caderno de Tendências 2019-2020 da ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), produzido em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), ressaltando um dos principais motivos que fez algumas marcas começarem a investir, por exemplo, em sabonetes líquidos em versão óleo, que se transformam numa espuma cremosa quando se misturam com água, e em versão creme, que são altamente umectantes. Os sabonetes em barra não foram descartados, claro, mas passaram a ganhar uma base vegetal, que é bastante hidratante.

Segundo o Caderno de Tendências da ABIHPEC, esse tsunami sênior estimulou as empresas a investirem pesado em cuidados de pele específicos para as faixas de idade 60+ e 70+. “A indústria também está discutindo com mais força a chamada quarta idade, formada por maiores de 80 anos. Particularmente, comemoro demais essa novidade, porque vejo a importância disso com a minha mãe, que faz parte desse grupo, com sua pele tão fininha e frágil e o desejo ainda latente de usar cosméticos como forma de sentir conforto e bem-estar”, conta o farmacêutico Marcelo Schulman, lembrando que já há especialistas falando em quinta idade, em referência aos cerca de 30 mil brasileiros que têm 100 anos de idade ou mais. “Estamos atentos ao fato de que a população está envelhecendo, continua se preocupando com a aparência e precisando dos nossos cuidados”, reforça ele.

Vera Bellezza acredita muito na beleza que não tem fronteiras – de idade ou gênero. Nossa missão é ser fonte de inspiração para que nossas leitoras se mantenham belas, lindas e jovens, não apenas por que cuidam da aparência, mas porque se dedicam a descobrir o próprio potencial e a valorizar as infinitas formas de beleza. Nos sentimos felizes e realizadas quando ajudamos os olhos brilharem e todas as células do corpo responderem a um grande propósito de vida. Assim seremos sempre jovens, jovens por muito mais tempo.