Dermocosmético ou cosmético?

Se você acha que dermocosmético é uma coisa e cosmético é outra, saiba que eles não têm diferença alguma, mas mesmo assim surgem dúvidas e maneiras diversas de entender suas finalidades tanto pelo consumidor como por dermatologistas. Ficou confusa? Calma que VERA BELLEZZA desata esse nó, o que ainda vai te ajudar a entender porque o dermocosmético ou o cosmético estão entre os grandes responsáveis por transformar as farmácias e drogarias no canal preferido de compras de beleza dos brasileiros, conforme aponta o Caderno de Tendências 2019-2020 da ABIHPEC.

Por Vera Golik e Shâmia Salem

Você já leu aqui no VERA BELLEZZA, na matéria Farmácia, point de beleza e bem-estar que a preocupação crescente com a saúde e o bem-estar tem sido um dos grandes responsáveis pelo aumento das vendas de produtos de cuidados pessoais nas farmácias e drogarias Brasil afora.
Segundo dados do Caderno de Tendências 2019-2020 da ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), produzido em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), nos próximos anos, o segmento chamado de HPPC (higiene pessoal, perfumaria e cosmético) continuará crescendo no canal farma, sobretudo os dermocosméticos. “Esse tipo de produto atrai o consumidor que quer melhorar a aparência, a qualidade e a saúde da pele, além de resolver problemas específicos, como rosácea, manchas, hipersensibilidade, ressecamento excessivo, danos provocados pela poluição e pela exposição exagerada ao sol”, afirma a dermatologista Carolina Ferolla, fã confessa de dermocosméticos tanto para seus pacientes quanto para uso pessoal. Aí cabe mais uma explicação: mesmo sendo recomendado por médicos, o produto é vendido livremente, sem receita. Não poderia ser diferente, já que o termo dermocosmético não é reconhecido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, que rotula como ‘cosméticos’ produtos para uso externo, destinados a proteção ou ao embelezamento das diferentes partes do corpo. E isso vale tanto para máscaras faciais quanto para cremes para mãos passando por maquiagens até chegar a loções adstringentes e óleos de banho e tantos outros itens, conforme descrito na lei nº 6.360/1976, no artigo 3º, e na RDC nº 7/2015, nos anexos I e II.

A teoria muda na prática

O farmacêutico e pesquisador em cosmetologia Lucas Portilho conta que quem primeiro usou o termo dermocosmético foi o grupo L’Oréal, com as marcas Vichy e La Roche-Posay. “O nome não só ‘pegou’ como estimulou as pessoas a acreditarem que esse tipo de produto era superior ao cosmético. Mas isso não está certo. Primeiro, porque ambos são cosméticos; e, segundo, porque o que vai determinar a qualidade e eficácia de qualquer que seja o produto é a composição de sua fórmula e se a escolha é adequada para atender as necessidades do consumidor”, diz Lucas, que sugere que mais importante do que decidir sua compra pelo simples fato do produto ser taxado como cosmético ou dermocosmético, é se guiar pela seriedade da marca por trás dele.