Cidadã do Mundo

* Por Uuka Idi (para SeikyoPost) *

Foi na África que a brasileira de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Fernanda Mocellin Baumhardt descobriu o campo de atuação para pôr em prática os seus ideais – algo que se transformou num significativo trabalho humanitário mundo afora. Sua história, com certeza, nos inspira a encontrar nossa missão nesse planeta.

Fernanda na Costa do Marfim na cooperativa de plantadores de cacau, jun. 2013

Fernanda no Equador em apoio aos acampamentos nas comunidades afetadas pelo terremoto que ocorreu no país em abril deste ano

Proplaneta colabora com o programa Diálogo Jovem no Rio de Janeiro, nov. 2012

Fernanda é dessas pessoas que inspiram coragem e força.

Conversamos pelo telefone e a cada momento, ela se revela alguém disposta a dar o seu máximo para lutar efetivamente pela dignidade da vida.

O ápice desta história foi quando a jornalista decidiu abandonar o emprego em um renomado canal de televisão em Los Angeles, EUA, para mergulhar em seu próprio universo; época em que também conheceu o Budismo de Nichiren Daishonin e a Soka Gakkai, organização que reúne budistas leigos e tem como objetivo trabalhar pela paz mundial por meio da cultura e educação. “Eu percebi que não era tão ambiciosa quanto imaginava e que tinha uma missão maior do que aquilo tudo o que vivia”, diz.

Foi na África que descobriu o campo de atuação para pôr em prática os seus ideais. E aquilo que começou com uma tese de mestrado, se transformou num significativo trabalho humanitário mundo afora.

Até aqui sua jornada já motiva muita gente, mas a história toma um rumo heroico quando Fernanda vence em 2008, um câncer de mama que a fez repensar a vida e se encorajar a vencer: “Cheguei a escrever uma carta dizendo que ‘Caso eu passasse para a outra dimensão, gostaria de ter meu corpo cremado em cerimônia budista. As cinzas, caso houvesse oportunidade, pediria que fossem atiradas no mar de Fernando de Noronha, ao nascer do sol’. O câncer veio para me fazer ver que, antes de ajudar o mundo, preciso estar saudável. Faltava abrir espaço para o amor, a família, os amigos. Perdi as mamas, mas ganhei o meu coração de volta”.

Isso aconteceu no mesmo ano em que ela funda a Proplaneta, Organização Não Governamental que, por meio de vídeos participativos, visa inspirar, facilitar e empoderar grupos e comunidades ao redor do mundo, além de identificar, promover e compartilhar soluções que possam transformar suas vidas, contribuindo para um planeta sustentável.

Segue abaixo um trecho da entrevista que Uuka Idi fez com Fernanda Mocellin Baumhardt para o informativo Seikyo Post:

Uuka – Qual foi a sua motivação para fundar a Proplaneta?
Fernanda – A ideia de fundar a Proplaneta veio de uma forma muito orgânica quando estava em missão no Malaui, na África, como pesquisadora da tese do meu mestrado. Estava atuando pela Cruz Vermelha de Malaui e pelo Centro de Referência de Mudanças Climáticas da Holanda.

Passei dois meses fazendo uma pesquisa para aferir o impacto da metodologia de vídeo participativo como ferramenta de comunicação para facilitar o intercâmbio de práticas de adaptação a mudanças climáticas entre cinco comunidades rurais muitos pobres do Malaui.

Fiquei encantada porque os bons exemplos e mensagens-chave selecionados e filmados pelos próprios aldeãos foram levados para quatro comunidades vizinhas que sofriam com impactos climáticos similares. Não era somente um vídeo, mas sim conteúdo com objetivo de provocar mudança de comportamento das comunidades em prol da melhoria de suas vidas. Entre nós, que trabalhamos pelas causas humanitárias, sempre dizemos que “comunicação eficiente ajuda a melhorar e salvar vidas”.

Após esta primeira experiência decidi criar a Proplaneta. Foi assim que consegui realizar muitos projetos no Brasil e no exterior, como por exemplo em 2015, quando fui contratada pela Organização das Nações Unidas para uma missão em Uganda, na África.

Uuka – Como aplica a filosofia budista no seu trabalho?
Fernanda – O budismo, a Proplaneta e a Fernanda são uma coisa só. O budismo é a base porque isso tudo não existiria sem essa filosofia. É somente com compaixão e benevolência fundamental que é possível realizar um trabalho que não está focado na remuneração, mas na humanidade. Nesse sentido, ser budista despertou em mim essas características que todos nós temos. Isso provocou a decisão de eu sair da CNN e encontrar a minha essência, foi natural. Quando recebi o Gohonzon* (*pergaminho que Fernanda recebeu em cerimônia especial ao se converter ao Budismo), em 2006, senti que aconteceu um reencontro comigo mesma e a partir daí segui uma nova trajetória focada no humanismo.

E, se não fosse a prática budista eu não teria coragem e a confiança para seguir em frente.

Antes de terminar, arrisco a perguntar: Quais são os seus planos futuros?

Ela dá uma gargalhada, reflete um pouco e cita: “Estou me apaixonando pela crise dos refugiados da Síria. Aí pensei que quero muito estar mais próxima à Síria. Essa é a minha meta para os próximos anos! Essas pessoas precisam de amparo, precisam voltar a enxergar a vida de outra forma e perceber que podem retomar a sua história e serem felizes novamente”, finaliza.

Antes mesmo que a entrevista fosse publicada no informativo SeikyoPost, Fernanda retornou à Genebra, Suíça, onde reside atualmente, depois de passar alguns dias no Brasil, entre o sul (região em que nasceu) e o sudeste do país. A agenda sempre cheia, a leva de um país a outro, mas ela revela que concilia o tempo para participar de atividades da sua organização Budista, a Soka Gakkai Internacional – SGI. “Procuro sempre atuar na organização e contar minha história. Assim, me inspiro e consigo inspirar outras pessoas. Não importa onde eu estou, sempre procuro a SGI”, diz.

QUER SABER MAIS?

Leia o texto na íntegra em www.seikyopost.com.br

NOTAS

••• Fernanda também dirigiu o vídeo “Nutrindo Sementes de Esperança”, para Soka Gakkai Internacional Japão, com o objetivo de alertar jovens e crianças sobre a importância da educação ambiental. O documentário foi exibido em junho de 2012 na convenção Rio+20 junto com a Proposta de Paz do Dr. Daisaku Ikeda, filósofo e líder humanista da SGI, cujo tema aborda a sustentabilidade. Assista o vídeo em: https://www.youtube.com/watch?v=ol8zMlwGXLU

••• Assista também vídeos do programa Diálogo Jovem, produzidos no Rio de Janeiro em: https://vimeo.com/channels/979746

••• Acompanhe o canal da Proplaneta no Vimeo: https://vimeo.com/proplaneta

LINK

Pro Planeta http://www.proplaneta.com