* Apresentação Por Vera Golik *

Seguindo a deliciosa série de crônicas sobre o casamento e mais especificamente sobre a magia que envolve o tão desejado e mitificado vestido de noiva, vamos conhecer mais uma história saborosa que nossa colunista Valkiria Iacocca, observadora incansável dos costumes mais triviais, prosaicos, nos conta…

Bendito Casamento PARTE II – O Vestido da Noiva

* Por Valkiria Iacocca *

Eram duas colegas de trabalho, a Tânia, secretária da presidência de uma multinacional, e Isabel, recepcionista da mesma empresa. Saíam juntas quase todos os dias para almoçar. Nas conversas foram identificando personalidades semelhantes e algumas coincidências – tinham a mesma idade, 24 anos, as duas eram noivas de rapazes de 27 anos e, pasmem, ambos se chamavam Antônio. Tânia tinha estudado nos Estados Unidos e Isabel na periferia de São Paulo. As duas eram morenas, lindas e alimentavam o mesmo sonho: casar de branco e entrar em uma linda igreja enfeitada, com os amigos e a família aguardando em silêncio o momento de dizerem sim aos seus Antônios.

As conversas nos almoços giravam quase sempre sobre o tema casamento. Iam das economias para as despesas, das listas de convidados para as lembrancinhas… Mas, o assunto mais instigante e apaixonante era, sem dúvida, o vestido que cada uma iria desfilar até o altar. Eu presenciei algumas dessas conversas, já que a multinacional em que elas trabalhavam era minha cliente de assessoria de imprensa. Ouvindo tudo aquilo, percebendo o deslumbramento sem fim, eu comecei a namorar a ideia de escrever sobre o tema “Vestido de Noiva”. É claro que, apesar do nome, o texto não teria nenhuma ligação com a obra homônima de Nelson Rodrigues, que em 1943 marcou a renovação do teatro brasileiro.

Tânia e Isabel levaram quase dois anos para realizar seus sonhos, uma foi madrinha da outra e por sorte eu estive nos dois casamentos. Tânia vestia um modelo assinado por um costureiro famoso, e Isabel um vestido comprado lá, naquela famosa “rua das noivas”, em São Paulo, mas nem por isso menos charmoso. Elas provaram para mim que no casamento não importava o dinheiro gasto com o buffet, nem a quantidade de convidados, o que importava mesmo era o tal Vestido da Noiva. Era o direito à felicidade e a garantia de que tudo iria dar certo… Sentimentos compartilhados por todos os presentes à cerimônia.

Essa história já se passou há algumas décadas. Não sei se Tânia e Isabel foram felizes para sempre e pretendo não saber. Prefiro ter na memória a igreja suntuosa e ricamente enfeitada da Tânia e a simpática capelinha da Isabel. Também quero ter a lembrança de que ambas celebraram o amor, se enfeitaram com a esperança da felicidade, enfim, se vestiram de noivas! Algo tão bom… sem barreiras, um direito de todas.