Beleza à flor da pele

Você está prestes a vivenciar uma das maiores revoluções de beleza: a chegada de produtos que ajudam a equilibrar o microbioma, que são as bactérias boas localizadas na camada superficial da pele. A supernovidade, apontada no Caderno de Tendências 2019-2020 da ABIHPEC e inspirada no Projeto Genoma Humano, chama a atenção para a necessidade de manter essa flora cutânea em harmonia, já que seu desequilíbrio pode provocar acne, psoríase e dermatite atópica, entre outros problemas de saúde que afetam diretamente sua beleza, autoestima e bem-estar

Por Vera Golik e Shâmia Salem

As novas descobertas da indústria cosmética têm reforçado a ideia de que cuidar da pele não é só questão de vaidade, mas também – e principalmente – tem a ver com tratar da saúde e preservar o bem-estar. Uma notícia e tanto quando a gente lembra dos prognósticos que apontam para a vida cada vez mais longa. Ou seja, temos grandes chances de chegar à quarta idade, formada por maiores de 80 anos, já que a expectativa de vida da brasileira subiu para 79 anos e 6 meses, de acordo com o último censo divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Diante disso, não é de estranhar que as marcas têm desenvolvido seus produtos com base em grandes descobertas científicas, como a do Genoma Humano. Considerado o maior projeto desenvolvido pela humanidade, que revolucionou nossos conceitos sobre genética e o que hoje é chamado de “ciência do futuro”, o Genoma Humano inspirou o Projeto Microbioma Humano, que começou em 2008 com cientistas do National Institutes of Health, nos Estados Unidos. Entre as várias descobertas, esse estudo revelou a presença de colônias de bactérias boas na pele. Assim como as presentes na boca, no nariz e no intestino, essas bactérias “do bem” têm um ecossistema próprio, que pode ser alterado por fatores externos.

Entender o funcionamento dessa microflora natural da pele – o microbioma – se transformou num dos maiores focos de interesses da indústria cosmética hoje em dia. “Isso é legítimo, afinal, essas bactérias controlam a colonização de organismos potencialmente patogênicos, reduzem a inflamação e melhoram a função de barreira protetora da pele contra as agressões externas, como a radiação solar e a poluição”, esclarece o dermatologista Jardis Volpe, de São Paulo. Isso significa que manter o equilíbrio dessa microflora é o melhor atalho para manter um bom nível de hidratação da pele, diminuir os riscos de irritações e sensibilização e estimular a renovação celular, que diminui com o passar do tempo.

Na busca pela harmonia do microbioma, o Caderno de Tendências 2019-2020 da ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos) produzido em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), adianta que muitas marcas têm estudado o uso de fórmulas enriquecidas com prebióticos* e probióticos*, entre outros ativos.

 

Beleza do futuro

Esse cuidado com a microflora da pele esbarra em outro conceito bastante novo e ainda pouco divulgado no Brasil, a corneoterapia. “Ela tem como propósito preservar o estrato córneo, que é a camada mais superficial da pele e a primeira barreira de proteção do organismo contra o meio externo”, esclarece a farmacêutica especialista em cosmetologia e dermocosmética Fernanda Chauvin, presidente da Ellementti Dermocosméticos e primeira brasileira a se tornar membro da International Association for Applied Corneotherapy (I.A.C), uma associação de profissionais de diversas áreas de atuação que, em comum, estudam maneiras de reduzir as agressões à camada córnea. E, olha só que curioso: o autor dessa ideia de regeneração do escudo protetor da pele também foi o criador do termo “cosmecêutico” e do ácido retinoico, bem como de seus benefícios a curto prazo e da capacidade dele deixar a pele sensível e receptível a outros cosméticos. “Foi justamente por notar o expressivo aumento de doenças de pele relacionadas à alteração do estrato córneo, entre elas dermatite, psoríase, eczema e rosácea, que o dermatologista norte-americano Albert Montgomery Klingman elaborou a filosofia da corneoterapia”, conta Fernanda Chauvin.

Entre as crenças desse conceito, está a de que as células da pele são capazes de liberar mediadores químicos que desencadeiam ações em todas as camadas cutânea, o que é importante não só para a saúde da pele, mas a do corpo como um todo. “Na prática, a intenção da corneoterapia é conscientizar sobre a importância de manter o estrato córneo íntegro para que a pele funcione de maneira adequada, o que inclui produzir colágeno e evitar que as células produtoras de melanina sintam necessidade de aumentar a produção de pigmentos que provocam manchas como forma de proteger o rosto do excesso de sol”, exemplifica.

Diante de tantos benefícios, VERA BELLEZZA fica na torcida – e de olho nas formulações – para que a safra de novos cosméticos com foco no equilíbrio do microbioma chegue logo para nós, trazendo reais benefícios para quem investir nesse cuidado especial. Quanto mais nossa indústria se apropriar dessa nova tecnologia, melhores produtos serão lançados e, no fim, muitas opções, cada vez mais acessíveis, devem invadir as prateleiras Brasil afora.

 

* O que são prebióticos e probióticos? Em nutrição há uma boa explicação para a eficiência desses ativos e sobre como se comportam individualmente e em conjunto. De acordo com a professora Susana Marta Isay Saad, pesquisadora do Food Reseach Center e docente do Departamento de Tecnologia Bioquímico-Farmacêutico da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, a definição utilizada no mundo todo é a seguinte: probióticos são micro-organismos vivos que, administrados em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde de quem os ingere. Prebióticos são componentes alimentares não digeríveis que estimulam seletivamente a proliferação ou atividade de populações de bactérias desejáveis no intestino (cólon), beneficiando o indivíduo hospedeiro dessas bactérias. Simbiótico é um produto no qual se combinam prebióticos e probióticos.