Argila, sim! Dos pés à cabeça!

A boa e antiquíssima argila continua em alta na formulação dos cosméticos mais modernos. Ela faz parte de um dos mais fortes movimentos globais da atualidade e que cresce a passos largos, no Brasil inclusive. A explicação para isso, apontada no Caderno de Tendências 2019-2020 da ABIHPEC, é que a procura por produtos elaborados com ingredientes de origem natural vem ancorada pela busca por um estilo de vida mais saudável e pela crescente preocupação com a sustentabilidade e o futuro do planeta. É nessa onda que a argila volta à tona como ativo estrela de cosméticos faciais, corporais e capilares, e ainda ganha o reforço de outra febre dos cuidados pessoais: a de produtos com ação detox. Saiba mais sobre como se aliar e se beneficiar dessa ideia.

Vera Golik e Shâmia Salem

A vantagem de usar um ingrediente que tem praticamente a mesma idade do planeta Terra, ou seja, cerca de 4,56 bilhões de anos, é que sua aplicação e performance já estão bem estabelecidos. Egípcios e gregos que o digam, já que eram adeptos das máscaras de argila antes mesmo do início da era cristã. Ao longo dos anos, outros ativos foram testados para substituir a argila, caso do mix feito com mel, ovos e pó de chifre de vaca embebido na lã do carneiro. O experimento não agradou muito, tanto que a partir dos anos 1900 voltou-se a usar receitas semelhantes às que temos hoje em dia.

Diante disso, vem a dúvida: com tamanha tecnologia à disposição, por que várias empresas lançam cosméticos à base de algo tão antigo com tanta frequência? Praticamente todos os meses tem algum lançamento com o ingrediente surgindo nos catálogos e prateleiras! “Há inúmeras e ótimas justificativas para isso. Entre as que têm mais a ver com a realidade atual é que há uma demanda cada vez maior por ativos que não provoquem alergia cutânea, reação cada vez mais comum devido às alterações na pele provocadas pelo excesso de poluição e pelo estresse; e também a busca por produtos “verdes”, assim chamados por serem elaborados com ingredientes naturais, caso da argila, que é 100% natural por ser obtida da degeneração de rochas”, explica a esteticista e cosmetóloga Isabel Piatti, de Curitiba (PR), membro do conselho científico da Academia Brasileira de Estética Ciêntífica (ABEC) e embaixadora do Centro e Instituto Internacional de Aprimoramento e Pesquisas Científicas (CIA). A informação é comprovada por um levantamento da Kantar Worldpanel 2018, descrito no Caderno de Tendências 2019-2020 da ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), produzido em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), que mostrou que 50% dos brasileiros optam por produtos com ingredientes de origem natural quando se trata de cuidados pessoais.

Muitas vantagens

Verdade seja dita, o sucesso da argila também está atrelado ao fato dela ter múltiplos usos e de boa parte das brasileiras terem pele oleosa. “Estamos falando de uma matéria-prima que cabe perfeitamente na elaboração de cosméticos faciais, corporais e até capilares. Isso porque tem ação nutritiva; possui alta concentração de minerais; e tem poder depurativo, ou seja, é capaz de eliminar sujidades, oleosidade excessiva e toxinas. São essa impurezas que favorecem o aparecimento de cravos e espinhas, deixam o rosto com brilho excessivo, alteram a coloração da pele e o tamanho dos poros, além de prejudicar a circulação sanguínea, colaborando para o aparecimento da celulite e de inchaços, por exemplo”, completa o farmacêutico e cosmetólogo Maurício Pupo, de Campinas (SP). Segundo ele, a argila também aparece como ingrediente forte na podologia, para combater transpiração excessiva, rachaduras e até unheiro. Ou seja, opções para todas as necessidades e para resolver problemas da cabeça aos pés, literalmente.